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	<title>Arquivo de Médicos dentista - Saúde Oral</title>
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		<title>Doença de Behçet: em que consiste e quais as implicações na Saúde Oral?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jul 2023 16:57:36 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Médicos dentista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É muitas vezes através da saúde oral – ou falta dela &#8211; que algumas complicações sistémicas ou gerais se manifestam. A nossa boca pode ser o ‘espelho’ de várias patologias, sendo muito importante, por isso, ter atenção aos possíveis sintomas que podem surgir na cavidade oral. Uma destas patologias é a Doença de Behçet – [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É muitas vezes através da saúde oral – ou falta dela &#8211; que algumas complicações sistémicas ou gerais se manifestam. A nossa boca pode ser o ‘espelho’ de várias patologias, sendo muito importante, por isso, ter atenção aos possíveis sintomas que podem surgir na cavidade oral. Uma destas patologias é a Doença de Behçet – ou síndrome de Behçet – uma doença autoimune causada pela inflamação dos vasos sanguíneos, ou vasculite, e que tem algumas das suas primeiras manifestações precisamente na boca, através do aparecimento de úlceras dolorosas recorrentes, semelhantes a aftas.</p>
<p>Por ser uma doença crónica rara e pouco conhecida, o aparecimento de sintomas na cavidade oral tende a ser, muitas vezes, ignorado ou associado a outras condições. Assim, é fundamental compreender melhor em que consiste esta doença, quais os principais sinais e sintomas e os tratamentos mais indicados, tentando assegurar não só a saúde oral, mas também a saúde em geral.<br />
Ainda não são conhecidas as razões exatas que desencadeiam o desenvolvimento desta patologia. Alguns genes têm vindo a ser associados ao seu aparecimento – nomeadamente o gene HLA-B5 e o HLA-B51 -, não sendo, contudo, possível determinar se a sua causa é hereditária. Ainda assim, existem alguns fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento da síndrome de Behçet.</p>
<p>De um modo geral, esta doença tende a ser mais comum em homens entre os 20 e os 30 anos, sendo nos indivíduos do sexo masculino que se desencadeiam, geralmente, os sintomas mais graves. Embora crónica, a doença tem períodos em que os sintomas se manifestam, ou em que surgem recorrentemente &#8211; os chamados períodos de relapso -, e períodos de remissão, em que não há manifestações e as lesões desaparecem. Com a idade, os sintomas tendem a reaparecer em intervalos cada vez maiores.</p>
<p>O surgimento de úlceras na boca constitui-se como um dos primeiros e principais sintomas da doença de Behçet. Começam como pequenas lesões arredondadas e com relevo, geralmente localizadas nos lábios, língua e parte interna da bochecha, mas que rapidamente se transformam em úlceras dolorosas e hemorrágicas. O processo de cicatrização dura, geralmente, entre uma a três semanas. O diagnóstico é feito quando, a par deste sintoma, surgem também outros como úlceras nos genitais, feridas semelhantes a acne espalhadas pela pele, inflamação nos olhos com alterações de visão, inchaço nos braços, pernas e articulações, bem como vermelhidão e dor ao toque.</p>
<p>As alterações vasculares podem também levar a oclusão vascular e formação de trombos ou aneurismas, podendo provocar alterações neurológicas e do sistema digestivo. Embora não exista ainda nenhum exame específico capaz de diagnosticar a doença de Behçet, é essencial estar atento a possíveis sinais de alerta. As manifestações orais são geralmente os primeiros sinais da doença, e acontecem em praticamente todos os doentes. O diagnóstico mais provável da doença de Behçet acontece caso o paciente registe três episódios de úlceras orais no espaço de 12 meses &#8211; sem nenhuma outra causa aparente &#8211; associados a dois dos outros sintomas descritos, sobretudo inflamação ocular, úlceras genitais ou lesões da pele. Assim, se os sintomas se verificarem<br />
recorrentemente, deve consultar-se um médico especialista em medicina interna, que poderá fazer um diagnóstico correto, cruzando os sintomas orais com as restantes manifestações e recomendando os tratamentos adequados.</p>
<p>No caso da Medicina Oral, além dos cuidados de higiene, devem ser mantidas as consultas regulares com o médico dentista, de modo a acompanhar o aparecimento ou agravamento de sintomas incomuns. A doença de Behçet não tem propriamente uma cura. Ainda assim, existem medicamentos que ajudam a controlar a dor e as inflamações, e que variam de acordo com a gravidade da situação. As úlceras orais surgem espontaneamente associadas à doença, mas poderão agravar caso infetem, o que acontece mais frequentemente no caso de má higiene oral.</p>
<p>Neste caso, geralmente são prescritos elixires orais que contêm corticóides ou analgésicos, que combatem a infeção e reduzem a dor provocada por estas lesões. Caso haja dentes fraturados ou irregulares ou com restaurações deficientes, rugosas ou com excessos, as úlceras poderão agravar e tornar-se ainda mais dolorosas, pelo que manter os dentes tratados e cuidados é fundamental para diminuir os sintomas da doença. Se o paciente usar próteses, sejam elas fixas ou removíveis, é fundamental que estejam bem polidas e perfeitamente adaptadas, sendo que as próteses removíveis &#8211; as dentaduras &#8211; são desaconselhadas por poderem agravar a incidência das úlceras. Do ponto de vista sistémico, o médico internista geralmente poderá prescrever antiinflamatórios, corticosteróides ou imunossupressores. Recentemente, têm sido obtidos bons resultados através de terapia biológica com citocinas.</p>
<p>Assim, é fundamental compreender que estar atento à saúde oral é também cuidar da saúde em geral. Os sintomas da doença de Behçet podem ser agravados se a condição oral for precária e caso não haja o acompanhamento necessário. Por isso, é essencial estar atento a todos os sintomas na cavidade oral, permitindo um diagnóstico precoce.</p>
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